sábado, 29 de agosto de 2009

O sinal


Era manhã de sábado, ouvi três batidas na porta. Foram toques estranhos.. Me deprimiram. Meus olhos sentiram a luz do dia que entrava pela janela. Fiquei um pouco estática, mas ao me encorajar, fui rapidamente receber o suposto visitante.
Ainda nua, levantei-me e vesti a primeira roupa que estava ao alcance. Pude ouvir, ao fundo, o choro entristecido de uma criança, contudo, não dei importância.
Abri a velha porta de madeira e o sol abraçou-me. Parecia algo divino, um sinal. Todavia, ainda não avistava ninguém. Pensei ser ilusão. Estava decidida a voltar para casa, mas, novamente, o tal choro me chamara atenção e desta vez, ainda mais próximo. Tão próximo, que guiou meu olhar à calçada. Foi então que avistei um cesto e uma criança. Parecia que o mesmo sol que me houvera abraçado, estava cobrindo a criança que ali se encontrava. E apesar do choro, este mesmo sol aparentava niná-la.
Não me contive e corri em direção à pequena. Com delicadeza, a levei para um lugar melhor.
Mas quem teria abandonado aquele lindo ser? Logo eu, que era sozinha e não podia ter filhos... Tinha a certeza que era uma graça. Estava feliz como nunca!
Olhei para aquela linda face rosada e aquele corpo nu, e só podia pensar: meu filho.


Pessoal, fiz o texto junto com a Gaah, da minha turma. Era um trabalho de redação mas achei tão legal que valeria a pena postar. Opinem!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Memória Verde

Quando eu morrer,
Ah, quando eu morrer..
Como serão as coisas?
Não sei se a grande rede de computadores pararia por mim,
Nem se alguém da Rua da Carioca lembraria quem eu sou
E por quê?
De tanto eu ajudei..

Ah, quando eu morrer
O sol radiará mais cedo
E a primavera dará tchau mais tarde
Em prol do meu luto
E pra quem?
E por quê?

Ah, quando eu morrer
É porque não me deram valor
É porque tudo foi em vão
É porque... é porque..
É porque talvez me usaram pra escrever um poema

Antes que eu morra,
Eu vos revelo
E peço que tenham compaixão.
Me chamo árvore
Mas de lápis posso ser chamada futuramente.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Minha doce ilusão

Minha doce ilusão é acordar amanhã
Sou um transeunte do nada
Eu já não tenho vida
Eu já não sou eu
Tenho mãos que não podem tocar
E meus pés estão fadigados
Tomara que não se lembrem mais de mim
Espero o trem que me levará daqui
O acaso me tocou
Entretanto, o despercebi
Já não é hora para acasos, pensei.
A angustia veio em seguida
Bom, esta ficou.
O trem está atrasado.
Já não posso suportar as velhas malas
O vento gelado da estação debocha do meu rosto
Um pássaro voava longe,
Me desviou a atenção das lembranças do dia passado
Por um momento, sorri
E por outro, senti uma lágrima se misturar com o gélido vento
"Onde será que está este trem, meu pai?"
Com a passagem na mala, acreditei estar sonhando
Mas aquilo era a minha realidade.
Era preciso aceitá-la.
Me sentei para esperar a embarcação
Agora, meus olhos lutavam com o vento também.
Os cerrei com aflição
Não lembro quando, contudo, adormeci
Quando acordei, minha doce ilusão havia partido com o trem.



Não sei porque ao certo, mas por esses dias, eu estou muito inspirado. Acabei de fazer e achei que valia a pena postar. Espero que gostem.

domingo, 2 de agosto de 2009

Azul 'escuro'

Era uma gota d’água
Tão pequena
Mas tão grande
Era uma bola de poeira
Tão pequena
Mas tão grande
Quem via de fora, parecia ver formigas
Quem dentro estava, dominador e conhecedor sentia-se
E como era lindo
E como podia ser feio
E em alguns dias, as ‘formigas’ eram más
E em alguns dias, os dominadores e conhecedores eram bons
Mas como podia ser?
Uma gota d’água e uma bola de poeira?
Formigas dominadoras ou conhecedoras?
Formigas?
A gota d’água diminuía...
A bola de poeira aumentava...
E não é que as formigas compravam computadores, mp321 e esqueciam de que eram meras ‘formigas’
E formigas foram.
E formigas vinham.
E formigas iguais.
Porque o ciclo precisa continuar.